Por Luiz Zini Pires
Dois meses depois do final da Copa do Mundo, a engenheira agrônoma gaúcha Maristela Kuhn, que cuidou dos 12 gramados do torneio em nome da Fifa, analisa a Arena e o Beira-Rio.
Alcancei-a por telefone, ontem, em São Paulo, enquanto esperava o voo que a traria a Porto Alegre.
Ela foi chamada a Doha, no Catar, sede do Mundial de 2022, para contar como se prepara um campo de jogo perfeito, capaz de agradar Messi, Cristiano Ronaldo, Neymar e o exército de futuros craques da próxima década.
Como você avalia os gramados dos dois grandes estádios da Capital?
Maristela Kuhn – São excelentes, dois dos melhores do país. A parada antes da Copa, no outono, ajudou muito. Grêmio e Inter sempre cuidaram muito bem dos seus campos de jogo, mesmo com 10, 11 meses, de uso. No Brasil se joga muito, quase o ano inteiro. Não existe nenhuma cidade da América Latina que tenha dois estádios tão qualificados como os de Porto Alegre. O gaúcho é um torcedor privilegiado.
Qual a herança da Fifa neste sentido?
Maristela – A excelência do gramado, da grama à drenagem, passando pela marcação. As faixas no gramado precisariam ter 5m37cm. Não poderiam ser cortadas com centímetros a mais ou a menos. A linha do gol deveria medir 12cm, nunca 11,5cm ou 12,5cm. O padrão Fifa de exigência precisa ser mantido.
O que ainda precisa mudar nos dois estádios gaúchos?
Maristela – O uso racional do gramado. Maracanã e Itaquerão não permitem treinos. Os gestores dos grandes estádios europeus, os que a TV mostra, sempre impecáveis, impedem treinamentos. Nem que os atletas troquem chuteiras por tênis e usem goleias móveis, no que estão certos.
Como se mantem um gramado padrão Fifa?
Maristela – Com o uso planejado do espaço de jogo, bons e modernos equipamentos e uma manutenção permanente.
A Copa do Mundo fez bem aos gramados brasileiros?
Maristela – Muito. Hoje até o torcedor reclama quando não vê um tapete verde, gremistas e colorados, mais ainda.
