A engenheira agrônoma responsável pelos gramados da Copa do Mundo no Brasil conta detalhes da preparação no estádio Beira-Rio, por onde passarão as chuteiras de craques como Lionel Messi e Franck Ribery
Os estádios são modernos e a maioria deles já está pronta para receber os jogos da Copa do Mundo. O palco real dos jogos, no entanto, continua necessitando de cuidados especiais dia a dia. E é a engenheira agrônoma gaúcha Maristela Kuhn a responsável pelos gramados do Beira-Rio e das outras arenas da Copa.
Formada há 24 anos, com mestrado e especialização nos Estados Unidos, Maristela trabalha diretamente com o futebol há 23 anos. No currículo, clientes como Grêmio, Inter, Palmeiras, entre outros clubes nacionais. Há três anos, passou a trabalhar também com a Fifa e participou desde o início do tratamento do gramado do novo Beira-Rio.
“O plantio foi feito em mudas no início de março, então ele já está maturando há bastante tempo. Uma exigência que foi feita é que fossem colocadas pequenas fibras plásticas misturadas ao solo. Estas fibras dão uma resistência bem maior ao arranquio pelas chuteiras”, explica Maristela.
Tais fibras também foram necessárias devido à posição geográfica de Porto Alegre – capital brasileira mais afastada da linha do Equador –, pois durante os meses de inverno grande parte do gramado ficará sombreada. Um trabalho especial, a laser, foi feito para garantir o perfeito nivelamento do campo e também com a própria grama, desenvolvida em laboratório.
“A grama é do tipo ‘bermuda’, que podemos dizer que é ‘prima’ da grama que temos na Arena. É uma grama híbrida, desenvolvida geneticamente em laboratório e que é bastante resistente ao sombreamento e ao pisoteio”, comenta a agrônoma.
Tecnologia de ponta
Maristela conta com a ajuda de equipamentos sofisticados para deixar o gramado do Beira-Rio no nível dos campos europeus. “São várias tecnologias enterradas. Existe uma drenagem a vácuo que é acionada em caso de chuvas fortes. Posso estar fora do Estado e acionar a drenagem pelo meu telefone celular. Também sensores de chuva e temperatura, que nos ajudam com a umidade. A máquina que faz o corte da grama é um equipamento sofisticado, a altura do gramado é medida por um paquímetro, que faz medidas de décimos de milímetros”, conta Maristela, não esquecendo de ressaltar os diversos profissionais que a auxiliam diariamente com os cuidados.
Segundo a agrônoma, o Beira-Rio se empenhou em atender todos os critérios estipulados pela Fifa. Desse modo, o palco da sede gaúcha na Copa está pronto para receber as chuteiras de craques como o argentino Messi e o francês Ribery.
